A gravidez

No segundo episódio da série “Crianças&Pets”, nossas protagonistas Ana e Márcia contam como foi a gravidez dos mini humanos Franco e Miguel e como os pets Pipa e Thor reagiram.

Querida Ana

O Thor começou a dormir em cima da minha barriga, do nada. Era mês de março, as noites estavam quentes. Eu acordava suada. Pensei que ele estivesse com medo de algo. Aquela era uma atitude completamente atípica do Thor, de um shiba, que são tão independentes. Ele sempre ficou perto, mas no seu espaço próprio. Por exemplo, sua cama fica no nosso quarto mas, raramente, ele sobe na nossa para dormir.

Ao descobrir que estava grávida, minha primeira frase foi: “Thor, você terá um irmão!”. É assim que me sinto (antes e agora), o Thor é o irmão mais velho do Miguel. É assim também com a Pipa?

Quando as pessoas do meu ciclo social souberam da gravidez, começaram os questionamento: “Você irá doar o Thor? Pode me dar, eu cuido dele”. O comentário que me tirou do sério foi: “Agora, você conhecerá o amor de verdade”. Engoli em seco, queria estrangular a pessoa. 

Conforme a barriga ia crescendo, o Thor começou a ficar distante e a rosnar quando eu me aproximava dele. Aquilo foi devastador. Eu precisava tê-lo ao meu lado novamente, não aceitava ele rosnar e me rejeitar. Nesse momento, comecei a colocar coisas gostosas para ele comer em cima da minha barriga. A princípio, ele pegava o petisco e saía, até o momento que passou a lamber a minha barriga. Não foi fácil. Nada fácil. A aceitação demorou meses. Foi necessário ter paciência. E muita insistência. Sorte que eu tinha nove meses.

Durante toda a gravidez, fiz ele participar. Cada item de decoração que chegava, mostrava para o Thor e deixava as embalagens para ele brincar. Sempre conversei e expliquei que nunca deixaríamos de amá-lo, o Miguel vinha para somar.

Louca para saber como foi com a querida Pipa.

Grande beijo, Márcia.

Querida Márcia

Sempre ouvi falar sobre a sensitividade dos animais. Como eles agem durante uma enfermidade grave dos seus tutores, como preveem desastres naturais e como se tornam mais protetivos e carinhosos com a gravidez de alguém próximo.

A chegada do Franco, meu filhote bípede, foi muito desejada e planejada. E, quando de fato ela aconteceu, esperei pelas lambidas adicionais que eu receberia da Pipa, das rosnadas para estranhos que se aproximassem de mim e, quem sabe até uma aproximação dela com as crianças nos parques.

Esperei um, dois, três meses e nada. A barriga ia aumentando e a Pipa seguia sendo a Pipa de sempre: brincalhona, comilona e medrosa. Era ela que não percebia a mudança que estava acontecendo ou éramos nós, mergulhados no êxtase da gravidez, que não percebíamos os sinais dela?

Até hoje não sei a resposta, mas posso afirmar que a maior mudança na nossa relação durante a gravidez foi minha. Pesquisei muito sobre como tornar esse momento de transição o mais suave para todos, principalmente para a nossa peluda.

As refeições que tinham horário pontual para acontecerem passaram a demorar mais em alguns dias e adiantar em outros, o mesmo com os passeios: tudo prevendo a falta de rotina que um recém nascido impõe ao chegar.

Estando com uma rotina menos enrijecida faria o estranhamento dos primeiros meses ser mais leve. Também tivemos novas paradas durante os passeios no parque: agora sentar no banco da pracinha onde as crianças corriam e brincavam era religioso, tudo para aproximar a Pipa desse novo mundo.

Participar da arrumação do quarto, da lavagem das roupinhas, da conferência das pelúcias…no final das contas – ou melhor: dos nove meses – a Pipa não deu a mínima importância para a melancia que aumentava dia a dia na minha barriga. E tampouco ligou para a falta de rotina. Para ela tudo estava igual. A gravidez do Franco foi leve e imperceptível. Leia bem: a gravidez…

beijos, Ana

Vamos para o terceiro capítulo? Confere aqui.