A chegada dos bebês

No terceiro episódio da série “Crianças&Pets”, nossas protagonistas Ana e Márcia contam como foi a chegada dos bebês.

Querida Ana

Nove meses se passaram. Orientados pelo adestrador, levamos a compressa estéril, usada pelo obstetra para limpar o bebê, para casa e demos para o Thor. Nela havia o meu cheiro e do Miguel. Era uma maneira de comunicar que o novo ser que estava chegando era porto seguro, ele podia confiar. Descobrimos que nosso plano havia dado certo quando o Thor nos recepcionou com o rabo abanando freneticamente. Eu nunca havia o visto assim. Parecia outro cachorro. O Miguel não era uma total novidade, aquele cheiro já era familiar. Fiquei duas noites na maternidade e a saudade era grande, minha e dele. Estamos indo bem, não seria tão complicado. Era o que eu pensava… 

Na primeira noite em casa, o Thor dormiu em cima de mim. Era ciúmes, ele queria marcar território? O Thor nunca dorme na nossa cama, ele definitivamente prefere a dele. Aquela atitude fugia do padrão. Bem, dali para frente nada seria muito parecido. Nas semanas seguintes, ele ficou curioso e exausto, já que agora tínhamos um bebê chorando dia e noite… Tentei lembrar mais episódios para contar e tenho a sensação que a minha mente bloqueou. Será assim com todas as mulheres?

beijo, Márcia

Querida Márcia


Achei essa ideia de levar a compressa estéril para o Thor conhecer o cheiro do bebê fantástica. Confesso que não pensei nisso. Fiquei até o último instante fingindo que o parto não aconteceria e que o Franco ia brotar na porta de casa um dia. A ideia do bebê saindo de mim era terrível! Com isso, não pensei nessa primeira introdução da Pipa com o novo bebê….e muito menos fiz a mala da maternidade (aquela que mandam a gente preparar com bastaaante antecedência, lembra?).

Mesmo com oito meses de gestação, eu acreditava que tinha bastante tempo até o Franco resolver “dar as caras”. E foi numa dessas noites que levantei para ir ao banheiro e fiz xixi no chão! Mas peraí, um xixi diferente, porque não tinha cheiro nem cor de xixi. A bolsa estourou e lá fomos nós procurar onde estavam as roupinhas da maternidade, a mala, pegar a escova de dentes, enfim, uma loucura!

E a pobre Pipa sem entender nada, assustada com aquela movimentação diferente no meio da madrugada. Três dias depois voltamos para casa e fomos recebidos com aquela alegria contagiante da nossa nariguda. Mas o que mais me surpreendeu foi como a Pipa reagiu com o bebê. Veja bem, ela não estava recebendo o irmão dela, ela estava recepcionando o bebê DELA!

Foi essa a impressão que tivemos, porque além de ficar grudada no Franco aonde quer que ele estivesse, ela ficava desesperada com o menor chorinho dele, tentando pular em nós e lambê-lo. Juro que se nós pudéssemos ler a mente dela nesse momento seria algo do tipo “humana, tá fazendo tudo errado, me passa ele aqui que eu resolvo!”.

Que semana maravilhosa foi aquela! A Pipa apaixonada pelo mano, correndo e abanando o rabo atrás dele, e o Franco dormindo por muitas horas seguidas, sem ainda ter se dado conta de que não estava mais na minha barriga. Mas a gente sabe que o início da maternidade não são só flores, né?

beijos, Ana

Vamos para o quarto capítulo? Confere aqui.