A odisséia dos Táxis

O dia começou tenso. Fazia tempo que eu não tinha “problemas” com um motorista de aplicativo… Sou parte do grupo de pessoas que depois de fazer algumas contas e pensar no planeta, optou em não ter carro e anda de Uber, 99, o que tiver a melhor tarifa. Por aqui somos duas: eu e a Ella, minha cachorrinha (olha a foto dela ali em cima comigo), onde eu vou, ela vai. E, portanto, sou uma passageira acompanhada de um cachorro. Mas, confesso, vivo um drama diário. De segunda a sexta, abro o App, peço um carro para o Spaces, nosso escritório pet friendly, e rezo. Bem, quase isso. Nunca sei se o motorista vai aceitar transportar a Ella. E faço a minha parte, viu? Mando uma mensagem avisando que tenho um pet comigo, colchonete para proteger o banco do carro e informo que trata-se de um cão educado. Sabem? Eu só queria ser levada a sério, que o motorista ao ler meu texto acreditasse em cada palavra. Mas não. Tem alguns que insistem em duvidar e isso me tira do sério… Voltamos ao começo do dia, ao motorista que respondeu a minha mensagem com a pergunta: se sujar, vai pagar?. Não vai sujar, revido. E ele insiste: mas se sujar, vai pagar? Então, sugiro ele cancelar a corrida. Não quero ser transportada por caridade, nem com má vontade. Na verdade, quero que ele acredite quando falo do colchonete e do bom comportamento da Ella. A conversa sai da esfera celular e vira olho no olho. Nessa hora, já estou cansada, mais do que isso, magoada e não quero entrar no carro dele. Apenas repito o mais alto que posso, pois existe uma máscara entre nós, o que escrevi. Não escuto bem o que ele responde, mas ele concorda em cancelar. Logo chamo outro carro, que não demora a chegar. Antes de entrar, confirmo se minha mensagem foi vista e se ele concorda em levar um cachorro. Fico aliviada quando escuto: “claro, vocês são muito bem-vindas”. Respiro aliviada e penso: é assim que deve ser. Não vou entrar em um carro que não queira transportar minha filha (que tal falarmos sobre pets filhos na próxima coluna?). Não vou mesmo. Então, me dou conta de que ainda temos muito a conquistar em termos de inclusão dos nossos pets. Tento entender quem não gosta de um cachorro. Claro que é só uma tentativa porque jamais isso fará sentido, mas já ficaria bem feliz se acreditassem quando falo: não vai sujar.