Roteiro pet friendly Paraty

Este Roteiro Frontline&Nexgard tem gosto de férias na praia. Escolhemos Paraty para gravar o #localizacao e aqui vai uma reportagem completa e cheia de detalhes para você curtir com o seu doguinho esta cidade à beira-mar que aceita muito bem os pets, é lindíssima e tem uma vida cultural vibrante.

Ella: a marinheira

Vento a favor

Sabe quando tudo dá certo? Eu e a Ella (minha sócia pet) fomos conhecer Paraty, litoral do Rio de Janeiro, na semana passada e voltamos nada menos do que encantadas! Claro que eu vou falar das 65 ilhas e 60 praias com águas transparentes e calmas, da cadeia de montanhas gigantescas que compõem a Costa Verde dominada pela Mata Atlântica, dos ótimos restaurantes e também de uma pousada charmosa que facilmente chamamos de casa. Porém apesar de tudo isso ter peso duplo – não, triplo – foi o fato da Ella ser aceita em todos os locais e praias que me fizeram colocar Paraty no topo da lista dos meus lugares preferidos no Brasil.

Onde atiramos âncora

Vamos começar com o local que ficamos hospedadas e amamos, a Pontal Gardens localizada na Praia do Pontal, a poucos minutos do centro histórico. Bem decorada e com um aroma delicioso, que senti toda vez que entrei nela, é um local que acolhe. O café da manhã é repleto de ingredientes produzidos por pequenos produtores. Há petiscos artesanais em forma de ossinhos para os pets, bancada para dar banho neles e toalha de praia com patinha. À tarde sempre há café passado e bolo. O Ricardo, que recebe os hóspedes, é um ótimo “guia turístico”, ele ajuda os hóspedes a elegerem os passeios. Ah, importante, os pets devem ficar na guia – o que eu acho ótimo e seguro para todos.

Os quartos

Ela não é grande, tem apenas 8 quartos e dois deles possuem jacuzzi ao ar livre com hidro (bem forte) e cromoterapia. Lembro de chegar no final do dia, depois de um dia maravilhoso navegando entre as ilhas, abrir a porta do quarto, sentir a essência do óleo essencial que é produzido especialmente para eles, olhar a cama esticadinha e as toalhas dobradas em cima dela. Que luxo necessário. Sugiro encher a jacuzzi e relaxar na água quente enquanto a pressão da hidro faz uma massagem em você. 

Café da manhã

Quem gosta de café da manhã vai amar a delicadeza como ele é servido.

mesa do café da manhã

A louça, o jogo americano e as pétalas de rosa deixam tudo mais saboroso.

os pequenos e fundamentais detalhes

A geleia de goiabada e os pães integrais são preparados pela Cida que também prepara as tapiocas e ovos mexidos. A manteiga, com um gosto um pouco mais forte, é produzida por uma família de Cunha. O queijo branco, feito na região, vem de Graúna.

queijo de Graúna

Já a granola orgânica é made in Ubatuba

granola de Ubatuba

e o pão de queijo da vizinha Minas Gerais.

pão de queijo de Minas

Ah, claro, não podemos esquecer dos macaquinhos que pegam a fruta da sua mão.  

refeitório dos passarinhos

Meio de transporte aquático

Nesta primeira temporada, voltei de Paraty com a impressão de que navegar é preciso. Apesar das praias do continente serem lindas, as ilhas são as vedetes. Sem falar, que existem praias que só conseguimos chegar de barco. Além disso, o vento no rosto é revigorante. Portanto, escolha entre as traineiras, veleiros e lanchas e passe o dia entre as ilhas. Qualquer meio de transporte que ande em cima das águas é quase uma exigência. Foi exatamente isso que fizemos nos três dias de passeios. 

Nós utilizamos  para percorrer as ilhas, o barco do seu Irineo (R$150,00 na baixa e R$200,00 na alta temporada por hora) com capacidade para acomodar 10 pessoas e o diferencial de ter uma cobertura onde é possível deitar. Reservas feitas pela pousada Pontal Gardens.

barco do Seu Ireneo

A lancha do Leo (R$150,00 por duas horas e R$600,00 por 7 horas) menos confortável, porém mais rápida tem 14 lugares para sentar. Contato: 24 99232-1373

lancha do Leo

As ilhas e praias que chegamos de barco

As ilhas são de uma beleza única e intensa. Sem falar que se você gosta de praias vazias, é nela que encontrará o seu lugar. Obviamente, que aos finais de semana, feriados e férias (principalmente de verão) o movimento será bem maior. Há escunas barulhentas, que levam os turistas às ilhas que possuem um restaurante ou bar. Eu certamente fugiria delas e investiria em uma cesta de piquenique (na Pontal eles oferecem este serviço) ou levaria um cooler com bebidas e alguns petiscos. 

Praia do Cedro

Praias e ilhas que visitamos: no Saco do Mamanguá paramos na praia do Engenho e do Crepúsculo (onde foi filmado o filme Crepúsculo). Mais ao norte, saindo da praia de São Gonçalo – que fica no continente com acesso de carro – descemos na ilha do Caroço (pequena e deserta) e na praia do Cedro, que tem uma rede presa entre árvores e circula mais pessoas, pois é possível chegar até ela por uma trilha. Também em Peladinho.

Cachorro na praia

Não tive problema algum em levar a Ella à praia ou ilhas, não vi nenhuma placa com “proibido cachorro” apenas uma pedindo o óbvio: recolha o cocô do seu cachorro. Coloquei um colete salva-vidas na Ella (próprio para cachorro) quando estávamos dentro do barco por prudência e por ser muito fofo – confesso.

Ella com seu colete salva-vidas

Mesmo a Ella, que não é fã de água, acostumou-se rapidamente à vida de marinheira. No começo deixei ela dentro do barco. Depois fomos à popa e no final já estávamos na cobertura. O tempo todo eu estava com uma coleira free hand, por isso, pude prender a guia na minha cintura e no peitoral dela. Os barcos chegam bem próximos à beira da praia. Se o seu cachorro gostar de nadar, ele vai pular no mar. Caso contrário, tem como pegá-lo no colo, pois dá pé.

Praia no inverno

Eu sou uma grande fã de praia no inverno porque os dias de sol são quentes porém não torram, nem fazem mal aos cães, pois as temperaturas não são excessivas. A areia em momento algum estava quente ao ponto de queimar as patinhas da Ella. Por ser um sharpei (mais sensível ao calor), ela deitava ao sol e depois ia para a sombra das árvores. Enquanto isso, eu tomava sol, lia e mergulhava. Se a água estava fria? Um pouco, mas nada exagerado. 

Vamos dar uma volta no passado?

O centro histórico de Paraty é nada menos do que deslumbrante. O calçamento é todo feito de pedras “pés de moleque” – originais de 1667, quando a cidade foi fundada. Seu primeiro apogeu aconteceu na época dos engenhos de cana-de-açúcar, o que justifica a boa cachaça que produz até hoje. No século XVIII ficou famosa pelo porto, que recebia ouro e pedras preciosas vindos de Minas Gerais que eram levados para Portugal. Na década de 1970 foram construídas a estrada Paraty-Cunha e a rodovia Rio-Santos e com elas veio o turismo.   

centro histórico

Sem dúvida, um passeio pelo centro deve estar na sua agenda. A Ella, que nasceu com as patinhas com uma malformação congênita, obviamente não conseguiu caminhar. Na verdade, nem tentamos. Levamos o carrinho dela achando que seria suporte, mas ele também não funcionou no desnível das pedras. O que fizemos? Pegamos-a no colo, o que limitou grandes caminhadas, mas o pouquinho que percorremos foi o suficiente para ficarmos inebriados com o cenário bucólico e ímpar de Paraty. No final das contas, ele foi ótimo como caminha enquanto jantamos divinamente no Caminho do Ouro.

pedras pé de moleque do calçamento

Apenas para mencionar títulos e mostrar sua importância: a Unesco declarou que seu conjunto arquitetônico colonial como o mais harmonioso e a tornou patrimônio da humanidade e o IPHAN patrimônio nacional tombado.

Come-se bem, muito bem

Nós ficamos quatro noites em Paraty. No dia da chegada e da partida estávamos tão cansados que resolvemos curtir o quartinho aconchegante da Pontal Gardens. A própria pousada indica quem faz delivery. Caso você queira esquentar algo, pode usar a cozinha da pousada. Inclusive, essa é uma informação importante para quem dá AN (alimentação natural) para os cachorros.

As duas noites que saímos para jantar foram memoráveis! Abrimos o roteiro gastronômico com o restaurante Caminho do Ouro que fica no centro histórico. Ficamos com uma dúvida gigante se sentávamos na parte interna (sim, pode cachorro. Yes!) ou nas mesas da calçada. O entardecer colorido e o cenário colonial nos fizeram optar pelo ar livre. Compreensível, certo?

o visual das mesas da calçada

O cardápio é acessado pelo tablet, que fica preso a mesa e oferece fotos. Escolhi sem rodeios o robalo com nhoque de milho. Senhores, afirmo sem medo de errar: ele é espetacular! Um dos melhores robalos que já provei. Como entrada pedimos o couvert da casa com pães caseiros e pastinha de grão de bico e de tomate com azeitona. A bem servida caipirinha de caju não podia faltar, afinal, a cachaça local é assunto sério. Foi uma noite deliciosa (literalmente), onde comemos bem, tínhamos um cenário lindo a contemplar e ainda podemos conhecer a chef e dona do restaurante, a querida Ronara.

couvert com pães feitos na casa
mil-folhas de doce de leite
caipirinha de caju

No dia seguinte, fomos para a marina Farol de Paraty onde está o restaurante Armazém Mar do chef Fabrício Tofono e da Valéria. Chegamos ao entardecer quando o céu estava escandalosamente lindo. Lembro que eu queria fotografar e gravar o rosado que refletia no mar e deixava o cenário apaixonante e cumprimentei a Valéria rapidamente com um aviso: já venho. Então, aqui vai um conselho: saia da praia um pouco mais cedo (eu quase me atrasei) mas não perca o crepúsculo.

vista de cima

Logo na chegada, tem um lounge que me fez questionar onde eu deveria sentar. Acabei sucumbindo ao conforto de uma mesa, mas foi por pouco. Ainda assim, ficamos ali um pouquinho e até a Ella curtiu o visual.

belo cenário, não é mesmo?

Pedimos de entrada camarões empanados que vieram acompanhados de dois molhinhos deliciosos.

camarões como entrada

O robalo precisou ser repetido, afinal, por aqui ele também reina no cardápio. O prato que informa ser para duas pessoas serve na verdade 3 ou 4. Nós acabamos levando para a pousada e foi nosso jantar do dia seguinte – só para você ver como ele é generoso, além, de muito saboroso. Fresco e bem temperado, acompanha camarões e legumes que estavam igualmente ótimos. Para encerrar, dividimos uma torta de chocolate meio amargo.

robalo com camarões e legumes
torta de chocolate meio amargo e calda de frutas vermelhas

Foram dias irretocáveis! Deixamos Paraty com a certeza de que voltaremos e que as cinco horas de estrada que a separam da capital paulista não são muita coisa, perto da alegria de poder circular com a Ella sem preconceitos e tantos nãos. O litoral norte de SP precisa rever seus conceitos ou perderá muitos turistas com seus pets.