Hipertermia

Muito se fala sobre os perigos das altas temperaturas para os cães, principalmente no verão. No entanto, devemos lembrar que estamos numa área tropical, onde a primavera e outono também são bem quentes. Os horários mais perigosos para os passeios dos pets ao ar livre são em torno das 11h e às 15h. Afinal, neste período o ar está mais seco e quente e o asfalto e calçadas podem ultrapassar os 40 graus. Além da hipertermia, que vamos falar com mais detalhes ao longo do post, os pets estão suscetíveis a queimaduras nos coxins (almofadinha que ficam abaixo das patas).

Hipertermia

A temperatura normal dos cães é  entre 38 a 39,3 graus Celcius. Com a hipertermia podem chegar a 41 ou 42 graus (temperatura de emergência médica), as enzimas deixam de funcionar bem e elas são vitais para o funcionamento normal do organismo. Esta enfermidade está associada ao aumento repentino da temperatura corporal e pode levar a:

  • quadros de prostração
  • edema pulmonar
  • convulsão
  • parada cardíaca
  • perda da consciência
  • colapso circulatório
  • encefalopatia
  • falha renal aguda
  • coagulação intravascular disseminada (CID)
  • lesão do miocárdio
  • falha hepática
  • morte súbita

Quais animais são mais suscetíveis?

  • Raças braquicefálicas
  • animais obesos
  • cães agitados
  • cães velhinhos com doenças cardiovascular
  • ocorre mais em cães do que em gatos

Alguns sintomas que podem ser observados:

1.) o animal fica ofegante (respiração acelerada)

2.) com a língua muito vermelha (assim como a parte interna das orelhas)

3.) fraco

4.) anda cambaleando

5.) saliva bastante

6.) apresenta confusão mental

7.) olhar vidrado

8.) convulsões

9.) vômito

10.) diarreia

O que fazer? Em caso de hipertermia procure um médico veterinário imediatamente.

Algumas manobras de emergência podem ser feitas para evitar que venha a óbito imediato:

1.) coloque o animal num lugar ventilado e fresco (pode até usar o ar condicionado um pouquinho, mas não tão forte devido a chance de evoluir para edema pulmonar )

2.) use toalhas molhadas para resfriá-lo

3.) se o animal estiver consciente ofereça agua fresca, mas não em excesso para que não vomite

4.) Tente deixar o animal calmo

5.) além disso, não ofereça alimento, pois se o animal convulsionar ou desmaiar, pode vomitar e aspirar o vomito causando sufocamento ou pneumonia por aspiração

Atenção! Numa suspeita de hipertermia é indispensável a avaliação de um veterinário. Afinal, muitos animais sofrem problemas em vários órgãos ou morrem pela falta devida de cuidados. Isso porque a principal causa da morte não é a hipertermia em si, mas os danos ao funcionamento dos sistemas, principalmente renais e cerebrais.

Para prevenir ou diminuir a possibilidade de hipertermia:

1.) não passear em horários muito quentes (geralmente entre as 11h e as 15h)

2.) levar sempre água para hidratá-lo durante os passeios.

3.) não realizar exercícios físicos exagerados ou caminhadas muito longas.

4.) Em cães com muitas camadas de pêlo, por exemplo, o cuidado deve ser redobrado, assim como nos animais obesos, braquicefálicos e idosos, pela dificuldade anatômica ou sistêmica de trocar calor corporal.

Por Natália Ardizon, médica veterinária.