Durante 10 anos, a fotógrafa, jornalista e escritora gaúcha Cris Berger foi uma cidadã do mundo. Viajava pelos seis continentes realizando reportagens de turismo.
Em janeiro de 2015, recebeu uma mensagem com a foto de uma shar-pei acompanhada do texto: “Essa cachorrinha está para adoção.”
O que a Cris não poderia prever era que o ato de trazer a Ella para a sua vida mudaria seu rumo pessoal e profissional. Aliás, não só o seu, mas o de milhares de pessoas. A shar-pei Ella, com sete meses, a fez sonhar e realizar o que sempre desejou: viver o tempo todo com um cachorro.
Uma cachorrinha da cor azul, com deficiência física, que não foi vendida por conta de sua má-formação congênita nas patas, estava em seu destino. Dócil, carismática e com as bochechas que todos queriam apertar, observava o mundo com uma calma invejável e gostava de todos os animais e de todas as pessoas.
Ao longo de 10 anos, sete dias por semana e 24 horas por dia, elas estiveram juntas em todas as situações e locais possíveis e se transformaram em ícones do movimento pet friendly. Não existia uma sem a outra:
“Se a Ella não for, eu não vou”, repetia Cris incansavelmente.
Educada e cativante, a Ella era um cachorro “zen”. Cris investiu em educação canina, e o resultado foi que elas podiam frequentar juntas qualquer espaço, com classe e simpatia, sendo elogiadas por todos.
Cris elevou o termo “mãe de pet” a outro patamar. Para alguns, um exagero. Para muitos outros, a definição de amor materno. O que ninguém discute é que foi uma relação jamais vista de companheirismo, cuidado e reciprocidade.
O livro “Ella, Segue Sendo Nós” é dividido entre o luto, histórias do dia a dia, viagens incríveis e a conquista profissional que a jornalista fez acompanhada da Ella, sua sócia pet. Juntas, inauguraram o movimento pet friendly no Brasil e inspiraram mães e pais de pets, seguidores do Guia Pet Friendly, a terem uma vida semelhante.
Cris fala do seu luto sem floreios, passa a limpo o passado, divide suas dores e emociona com um texto simples e direto. Também conta histórias inéditas sobre os 10 anos da Ella: dos desafios de levá-la a todos os lugares — restaurantes, hotéis, hospitais e a bordo de aviões.
A Ella partiu em julho de 2024, mas, nas páginas do livro, nas redes sociais e nas histórias inspiradoras, Cris nunca estará sozinha, pois “Segue Sendo Nós”. “Eu perdi a Ella para uma doença fulminante, mas ela está viva na minha memória, e seu legado nunca será esquecido, pois tratarei de sempre falar de todas as nossas conquistas”, comenta Cris Berger.
O nome “Segue Sendo Nós” foi dado por um seguidor e reflete o desejo da comunidade de pet lovers de que o trabalho de inclusão pet, iniciado ao lado da Ella, continue.

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